quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A prática do assistente social

    O assistente social vinculado, no exercício profissional, a organismos estatais, paraestatais ou privados, dedica-se ao planejamento, gestão, execução, viabilização, avaliação e fiscalização dos ‘serviços sociais’ à população. A utilização de determinado conjunto de instrumentos e técnicas que viabilizem esta intervenção na realidade pelo assistente social, pode ter diferentes consequências, dependendo assim do nível de conhecimento do profissional acerca da sua prática, da realidade, da população que é alvo de sua prática, a qualidade desta intervenção tem incondicional ligação com a postura do profissional na sua prática profissional.  
     Segundo Iamamoto, “o serviço social como uma das formas institucionalizadas de atuação nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, tem como recurso básico de trabalho a linguagem”. É através da linguagem que o assistente social diz quem ele é, isso serve tanto para a população atendida quanto para todos com quem ele estabelece relação. A linguagem é fundamental, pois é através dela que a população vai entender o instrumental que o profissional opta para exercer sua prática no cotidiano, por isso, a necessidade de que seja uma linguagem que a população atendida compreenda. Dentre as técnicas que o assistente social dispõe as mais decorrentes são: entrevista individual ou grupal, observação participante, dinâmica de grupo, reunião e visita domiciliar, estas seria técnicas diretas. As indiretas: diário de campo, livro de registro, relatório, parecer social. A utilização destas técnicas pode ser equivocadamente analisada tanto como “invasão de privacidade”, práticas com fim em si mesmas, quanto como práticas que permitam uma maior aproximação do profissional com a realidade da população, visando um novo conhecimento crítico, criação de novos projetos, novas técnicas que sirvam de apoio para sua prática. Por isso, é de suma importância que o assistente social utilize de suas competências, são elas, teórico-metodológica, que exige um conhecimento do profissional acerca da realidade social, econômica, política, cultural com a qual trabalha; técnica-operativa, que são essas técnicas que citamos à cima, onde se deve conhecê-las, apropriar-se e, sobretudo, criar novas técnicas, permitindo uma maior eficiência de sua prática, tanto junto à população assistida, quanto a instituição contratante; ético-política, a prática do assistente social não é neutra, ao se optar por uma prática o assistente social já traz embutida sua posição política, daí a necessidade de se ter um conhecimento amplo e uma consciência na escolha de como fazer sua prática, dos objetivos a conquistar, tendo ciência de que nem sempre estes objetivos são alcançados, visto que, têm que ser levado em conta os limites impostos a atuação profissional do assistente social por ser um trabalhador assalariado, que na maioria das vezes é contratado por instituições estatais e é quem patrocina seus programas. É importante que o assistente social conheça os limites da sua atuação para que não caia numa frustração diante dos conflitos de interesses, e sim que aprenda a manejá-los conforme possível.
    Em suma podemos dizer que o assistente social tem um importante papel de interventor na realidade da sociedade, e as implicações que esta intervenção pode ter está diretamente imbricada com o engajamento do profissional e de seu nível de conhecimento em torno de sua prática que é desde sua institucionalização uma prática ambígua, no sentido de ser vista como possível instrumento do Estado para se legitimar, ao mesmo tempo não se pode negar sua importância, mesmo não sendo suficiente, é necessário para a população que é assistida por ela. Lembrando que a prática profissional precisar ser coerente com o Projeto Ético-Político da categoria profissional, mesmo dentro dos limites impostos a atuação profissional.

 Fonte: IAMAMOTO, Marilda. Renovação e Conservadorismo. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1995.  p. 100-101.
 SANTOS, Claudia e NORONHA, Karine. O estado da arte sobre os instrumentos e técnicas na intervenção do assistente social - uma perspectiva crítica. In. GUERRA, Yolanda e FORTI, Valeria (Org.). Serviço Social: temas, textos e contextos. Coletânea nova de Serviço Social. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2010. p. 47-63.

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